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domingo, dezembro 20, 2009

São vários os que me povoam e a cada um, com o tempo, fui dando um certo papel, não mais que o especificamente desejado. A velha e o gato. A margarida que não naufragou em terra e que teima no não. A mulher sem idade que veste o avental de pano cru. A menina. A menina é fundamental, digam o que disserem. É ela que ajuda a velha a subir para o animal mitológico que a pode derrubar. É ela que se ri dos fantasmas da velha, provocando na outra, a ironia. É ela que muitas vezes afaga o gato, ainda que o gato só tenha olhos para a velha. É ela, ainda, a menina, que desafia a velha a abrir a janela, a calçar as botas, a apanhar a chuva nos ossos. É ela que se senta de pernas cruzadas no chão da cozinha, vendo a mulher cozinhar e nos dias de correria culinária, de quando em quando, lhe tira os cabelos dos olhos e a incita a mais uma fornada.



Não tendo nunca reconhecido conhecer a face negra de mundo, deus, homem ou mulher, sempre lhe coube a ela, menina, o papel de guardiã dos enfeites de natal.







É ela, por isso e por fim, que na sua irreverência ingénua de papel distribuído não mais que o especificamente desejado, vem desejar a todos, ateus, agnósticos, religiosos submissos ou protestantes insubmissos, espirituais ou espirituosos, um natal de amor e paz, na harmonia possível do quotidiano feito data.







Não desiste ela, do Amor.



E ainda bem.