Traz-se pela mão, a mala de viagem.
Sobe-se as escadas, introduz-se uma chave e entra-se.
A casa, sossegada e a meia luz, saúda-nos ou somos nós que a saudamos, porque é a nossa casa, o nosso sitio, onde guardamos os objectos que falam de nós, mais do que alguma vez, falamos deles aos outros.
Demora-se 5 minutos a organizar as roupas.
Em 2 minutos, arrumamos as havaianas e o outro par de ténis.
E de repente, vem-nos à lembrança, as dezenas de vezes que chegámos de férias e demorámos pelo menos três dias a ver tudo de novo organizado. A bagunça das míudas. Os korn no quarto delas a quebrar o jejum de três semanas. A areia a escorregar dos bolsos dos calções para o chão da cozinha. Uma que grita, mãe preciso das calças de ganga azuis clarinhas para amanhã. Ela, sózinha na cozinha, divide por cores as roupas. O cão vem por trás e rouba-lhe uma meia. No lava louça os bifes do jantar começam a descongelar.
Não há volta a dar: as miúdas cresceram e foram fazer bagunça para outra freguesia.
A ela, como a qualquer cegonha que ensinou a voar, resta-lhe agora um ninho, arrumadinho.
Mas, ainda se sente espantada, quando abre a porta e demora apenas 15 minutos, a arrumar uma semana de vida...


