sexta-feira, dezembro 12, 2008

Muitas vezes se dispusera a escrever a pequena história.
Limitada no tempo, encravada no espaço. Sem antes ou depois.
Uma história breve. Um pequeno mosaico de rio.
Um minúsculo pote de açafrão. Uma chavena de café.

Um golpe de vento.
Uma pedra angular.
Um vislumbre fugidio do deserto imenso. Imerso.
De todas as vezes que pegou na caneta, a pousou de novo, suspensa no verbo.
Procurou encaixar na história o vocabulário rudimentar das histórias limitadas.
Não conseguiu.
Muitas histórias depois, percebeu, que a dificuldade não residia na história,
tão simples, afinal,
mas tão somente na sua teimosia de possuir (ainda) uma história por escrever,
uma historia que não fosse perecível



ou rudimentarmente destruida pelo tempo ou espaço.

Na página do seu diário, desse dia,
apenas escreveu: mais um dia, na vida de uma história por contar.
.
.
E apagou a luz.









23 comentários:

Bill Stein Husenbar disse...

Que a sua luz nunca se apague.

Nesta época natalicia, desejo um Feliz Natal recheado de momentos bons e e inesqueciveis na companhia dos que mais ama. Que a alegria e a esperança s espalhe e se concretizem no coração de cada um de nós.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

Spectrum disse...

Temos então vidas sem histórias?! Ou histórias de vida que por tão repetitivas se fecham na gaiola do tempo, imersas na alma?
A mim pareceu-me uma história muito bem contada. Beijos, Arabica

Lola disse...

Arábica,

A tua não história é realmente maravilhosa.

Lembras-me um Amigo que do alto de um rochedo em frente ao mar, dizia: se eu saltar 100 vezes, vou voar como o Super-Homem, mas nunca saltou.

Perderia a magia de acreditar.


Beijos enormes

Licínia Quitério disse...

Excelente história! Assim, sem ter ainda história. Gostei meeesmo...

Beijinho, com sabor a malaguetas.

legivel disse...

... as melhores histórias são aquelas que desafiam o leitor a descobrir histórias onde elas ainda não existem. E se há leitores que conseguem encontrar histórias onde o autor não as sonha, há autores que muito antes de iniciar uma história já pressentem que os leitores irão, naturalmente, descobrir-se, eles próprios, personagens dessa história.

beijos e sorrisos de um dia sem história.

© Piedade Araújo Sol disse...

bonita história sem história (?) deixando adivinhar ou mesmo a escrever a nossa própria história ainda que seja com a luz apagada.

beij

pb disse...

Tu és uma Mulher de histórias mil, gosto de te ouvir, as descrições, os lugares e sobretudo as pessoas. Gosto de candeeiro aliás, ontem gostei de tudo que vi !! Um beijo

José Manuel Dias disse...

....a vida é feita de vivências...
Bjs

heretico disse...

gosto de textos assim, que nos submetem pelo inesperado...

abraço.

Teresa Durães disse...

às vezes as histórias ficam encravadas esperando por dias melhores

jorge vicente disse...

e a luz apagou-se. como quando uma história bem contada termina.

um grande abraço
jorge vicente

Alien8 disse...

Arabica,

E assim contaste a história da história que ficou por contar... e muito bem descontada, por assim dizer. Luminosa, com pedras e vento e café (claro!) e condimentos (duplo claro!).

E com uma grande vantagem: é que deixaste uma outra história por escrever... e nem sabes quando a contarás. A vida, como escreveu há pouco não sei quem, é (também) feita de surpresas...

A luz pode acender-se de repente.

Pode.

Um beijo.

Marcia Barbieri disse...

Muito bom. Muitas vezes nos preocupamos demais com o tempo útil de nossas histórias.

PS: adoro as músicas daqui

beijos ternos

triliti star disse...

escrever um diário...

fazer um desenho
ou pintar.

quanta vezes apogo a luz sem um traço que o tempo não torne perecível.

e todos o são.

O Árabe disse...

Assim é, amiga. Muitas vezes, o mais difícil de escrever é a história da nossa própria vida. :) Feliz Natal, Feliz Ano Novo!

casa de passe disse...

...aquilo que não chegamos, nunca, a fazer...


porque querer não é poder.



joão

isabel mendes ferreira disse...

mentira. que a tua LUZ nunca se apaga.



acende caminhos que se perpetuam no tempo.



mesmo que na aparência estejam longe esses caminhos são-te o desenho maior de uma alma que vê.



bom dia talentosa menina.


abraço.te.

mateo disse...

Queria um comentário tão bem escrito como a tua não_história...
E sabes que não encontrei?
Só um me veio aos dedos:
"Que maravilha!"

Beijos.

bettips disse...

Como nos perdemos ao olhar os candeeiros no tecto. Mania minha também, que piada!
Tantas vezes apagamos o sol com o interruptor do pensamento!
Seria preciso a luz dum Alentejo no Outono, um azul imenso, m branco fosforescente, para embalar as histórias que nunca foram contadas...
Bjinho

Delfim Peixoto disse...

Gostei de ler e sentir

M. disse...

Está por aí algures
ainda não chegou a vez dela
A
grande
História ;)´


tenho tempo Arabica


Beijo

Nuno de Sousa disse...

Simples e bela a tua história, mto boa sem dúvida.
Bjs grandes e festas felizes
Nuno

Pipa disse...

"Lively up yourself..."