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quinta-feira, março 12, 2009

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Assim somos nós: tão humanamente perecíveis
e tão teimosamente resistentes.
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Música: Adágio em G minor, Albinoni.

domingo, janeiro 11, 2009




É domingo, está sol e vivemos na Europa.

Que mais se pode desejar?

Os filhos e netos brincam quentes, agora.

As mulheres prodigializam-se em vapores perfumados.

Os homens cultivam-se sem nódoa de terra.

O mundo está para lá do vidro.







O comboio passa, mas na gare, ninguém corre para o apanhar

nem ninguém luta por um lugar.



Música: Baby, it's cold outside, Ray Charles and Nina Simone

segunda-feira, dezembro 08, 2008




Iluminam-se lentamente as ruas da minha cidade,
na penumbra da tarde madura de aromas...
E mesmo nos páteos mais escondidos,
entram agora reflexos,
no tempo esquecidos...



[ pedras gastas que brilham
no aguaceiro inesperado ]


Nas janelas adivinham-se
flores em vaso,
margaridas teimosas,
que não naufragaram em terra...



[ cegas ao frio do longo inverno,
ainda murmuram pueris primaveras ]

E enquanto as clarabóias alvoraçadas,
dançam na magica esfera dos ventres de nuvem,
a cidade, lentamente, vai-se iluminando...





Música: At First Light, Silge Neergard

sexta-feira, novembro 21, 2008















Vivera sentada naquela travessa o tempo suficiente para conhecer os passantes.
Uns hesitavam perante o seu semblante, não sabendo se esperaria esmola,
outros, mais afoitos, flauteavam convites,
desconhecendo o tempo dimensional que os separava,
logo nesse breve encontro de olhos:
chegavam na pressa de partir,
enquanto na espera, ela descobrira o prazer do vagar.

Outros havia, que se iam demorando nas palavras.
Falavam-lhe de tempos de porcelana, que ela apenas poderia imaginar e que no tempo de espera, desenhava numa parede abandonada, com pó de estuque, que dos afectos, sobrara.




Clandestinamente, nas sombras ocultas pela longa cortina da rua, ia construindo um mundo anónimo, dentro da sua pequena travessa.
...E quando a noite caía, improvisava esferas e traços, saltando dos peitos das casas desabitadas, na negação constante da solidão que a detinha...










Foto: a propósito da exposição de porcelanas kraak, Dinastia Ming, ali ao virar da esquina...