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sexta-feira, agosto 07, 2009




Anónimos, cruzam mares e atravessam séculos,
os suspiros das "lavadeiras"...








Imagem: Vaso em faiança, 1915, Arte Deco, Colecção Berardo, CCB

Música: "Lavava y sospirava" Uma canção sefardi anónima tocada por Hespèrion XXI e cantada por Montserrat Figueras.

sábado, maio 02, 2009

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"...O que pode haver de menos compreensível em tudo isto, resulta do facto de que toda a explicação necessita de uma outra explicação para ser compreendida. Aquilo que de um modo imediato é para nós verdadeiro só será inteligível para outrem, depois de uma determinada "mastigação" durante cujo processo já todo o objecto em causa adquiriu nova cor, nova forma, novo ou novos sentidos de interpretação. O poeta tem a clarividência desta transformação e daí a sua atitude, sempre de recusa a qualquer espécie de imposição, e ainda quando nos parece que um dos seus gestos adquire uma cor mais conformista, ou um tom menos violento, ela não é mais do que uma forma diferente de recusa."







Pedro Oom, 1949


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Música:Innocence (for Mary Lou Williams), Jessica Williams

quinta-feira, abril 30, 2009

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Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu
a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso,
a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa.
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
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José Afonso






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Música: Utopia, Zeca Afonso.
Um dejá vue.

sexta-feira, abril 17, 2009


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ABRIL

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Música: Queixa das Almas Jovens Censuradas, José Mário Branco
(poema de Natália Correia)

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

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Edificação abandonada à ferrugem do tempo
clama por operários de ideologia sólida e benévola.
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Devido à urgência da obra,
a entrada é imediata.

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Música: pois continuemos com Zeca Afonso, temos muitas à escolha.
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Dia 23 de Fevereiro fará 22 anos que Zeca Afonso partiu.


A mim surge-me sempre sem data certa, esta memória triste, como se o mês de Fevereiro há muito tempo se habituasse ao ritual da saudade. Não tenho qualquer dúvida: a sua morte deixou-me mais pobre e menos forte. Todos os anos vejo mais distante o seu ideal, o seu estandarte.
Que a sua música e as suas palavras sejam força, em nós.


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terça-feira, fevereiro 03, 2009

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Um destes dias
o sol voltará
a brilhar
nos
jardins de inverno
que guardamos
no peito.
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Música: 1ª Teardrop, Massive Attack.

2ª The Ballad of Blue Flower, Lei Qiang.

Porquê por vezes 2 músicas?

A primeira inspirou-me a escrever aquelas palavras, a segunda é procurada através do que sinto depois de escrito...

sábado, janeiro 31, 2009

Pergunto-me e pergunto-vos (se por acaso, se sentirem inspirados a, com tempo de, com pachorra para) se na meia idade, algum momento será capaz de, metafóricamente, ser o cais de chegada ao nosso primeiro cais de partida...?



Isto é, divagando através das aprendizagens obrigatórias e colhidas durante os trinta anos que separam ambos os cais, vagabundeando através das inúmeras estradas experimentadas ao longo dessa viagem temporal, pergunto-me se ao chegarmos a determinado ponto da linha traçada da nossa vida, poderemos considerar o traçado, rampa de lançamento para a restante linha ainda difusa que, a nossos olhos, é o futuro...?





Quero acreditar que sim, que ainda somos capazes desse grandioso empreendimento que é a vida, com todas as vantagens e desvantagens que as experiências de vida nos trouxeram, de conseguirmos, a partir de certo momento, fazer as escolhas mais acertadas para nós, termos a visão que nos permite actuar com serenidade e a sabedoria que nos incitará a dar -ou não- um passo em relação a essa nova e magnifica viagem, a que chamamos recomeçar...





Sentada numa estação de comboios, entre partidas e chegadas de rostos que nada me dizem, quase me atrevo a acreditar que, a magia de toda a viagem estará encerrada nesse mesmo desafio de nós próprios, conseguirmos chegar a descobrir e a compreender, sem véus ou falsas ilusões, essa mesma e única essência, que um dia nos levou a partir e nos trouxe de volta a nós...
naquele exacto momento...









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Música: Walk of Life, Dire Straits

domingo, janeiro 25, 2009

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Rasgo
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porque é urgente quebrar o feitiço da melancolia que nos detém, desta mórbida nostalgia que nos arrasta a alma, sem sequer almejar a ser diferente. Rasgar o hábito, o sofá, a areia onde todas as noites escondemos a cabeça, para não pensar, para não sentir, para não perceber, para não sofrer.
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todos os cinzentos.
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todos os dias pardos de que enchemos os olhos ao acordar, este vazio pardo, esta rotina pardacenta, de gestos autómatos, sorrisos pardos e afectos pardos, desgastados da paixão que um dia sentimos.
Parda esta esperança finita de chegar ao fim do dia, ainda acordados.
Pardacento este desgosto de não sermos outros, não termos outras vidas, outros horizontes,
outros desejos que não este: não saber -não querer saber- a intensidade deste cinzento, sufocante.
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para lá do papel do desejo e do esboço.
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para lá do papel que representamos, existe contudo ainda um céu oblíquo para nos encontrarmos, para nos parirmos outros, mais fortes e sábios, mais emotivos e puros do que este esboço, que fizeram de nós e nós, por distracção, permitimos.
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da parede de dentro para o ímpeto do gesto.
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e quando com coragem nos enfrentamos, do coração recebemos ainda assim sinais vitais, num ímpeto de realização final.
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Rasgo o tempo. o vento. o aço.
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Rasgo assim em mim este tempo de não reconhecimento de mim e sei que por muito que doa, eu sou aquele que o espelho me oferece e por muito que doa eu sou aquele que o vento fustiga e por muito que doa eu hoje decido que não permito o aço, em mim.
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ilumino-me.

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Música: Slap that Bass (Miguel Migs Petalpusher Remix), Ella Fitzgerald & Miguel Migs

quarta-feira, janeiro 21, 2009

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se a mudança acontecer
os países deixarão de ser ilhas
muradas
de línguas estranhas.

e os oceanos serão distâncias irrelevantes.

Talvez então faça sentido
no início de cada carta
escrever as coordenadas,
na origem de cada
palavra nossa.

talvez então, a gravata
na metamorfose
do tempo
seja
bússola.

E os homens navios
sem naufrágio à vista.

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Música: Inquietação, Voz de JP Simões (letra e música de José Mário Branco)