sexta-feira, abril 24, 2009

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. A rapariga deitada na marquesa, o médico com as suas mãos suaves e mornas
calcando o estômago -quem é aquele? a rapariga estranha a pergunta, é Che Guevara,
não acredita que o seu médico não saiba a quem pertence o rosto que traz pendurado
no casaco de malha larga, pousado sobre a cadeira.
Agora as mãos pousam sobre o fígado, ela sabe de cor a sensação do fígado comprimido
sob os dedos experientes. Retém a respiração.
Então e a ovulação o que é?
Percebe a provocação.
Sente-se enrubescer.
Olha-o nos olhos e diz, eu sei o que é.
Espero bem que saibas.
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associa hoje a revolução a um óvulo que tarda em amadurecer.

em ser liberto.

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...não assistimos a uma revolução,
fazemos parte dela.
.
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Musica: Hasta Siempre, Carlos Puebla.

37 comentários:

Alien8 disse...

Arabica,

(Quer queiramos, quer não...).

Um bom 25 de Abril!

E um abraço de ambos.

meus instantes e momentos disse...

é bom voltar ao teu blog.
Maurizio

prof disse...

É isso mesmo! Se formos meros observadores, não há revolução...
Um beijo solidário de cravos e liberdades

Justine disse...

Poderosa metáfora, amiga!
(fazemos parte dela, sim! VivABRIL)

(e esta música dá-me ganas de de meter já num avião para Cuba:)) )

Arabica disse...

Alien,

quer queiramos, quer não.

Viva o 25 de Abril!

Arabica disse...

Maurizio,

obrigada. És bem vindo.

:)

Lola disse...

Arabica,

Uma boa imagem do que foi o fascismo: um médico, portanto uma pessoa com formação académica, não reconhece o Che Guevara. Um boa imagem do obscurantismo e da ignorância do que se passava no resto do mundo dessa época.


Beijoa grandes

Arabica disse...

Prof.,

até nas mais singelas acções do mais corriqueiro e banal dia.

Embora muitas vezes não se tenha presente esta percepção.


Abraço neste 25 de Abril, 35 anos após. :)

maré disse...

fantástica leitura Arabica...


mas gritar Abril, hoje e sempre

IMPÕE-SE!

um abraço rubro e esperançoso

Arabica disse...

Justine,



Vamos!!! :))


VivAbril, amiga!

Um abraço.

Arabica disse...

Lola,

não foi nesse contexto que integrei este pequeno diálogo.
Não foi essa a percepção que tive.
Ele sabia quem era Ché. :)

Não me conhecendo para lá do papel de paciente, chamou-me a atenção para o meu corpo que se transformava.
"Conhece-te a ti mesma, também".
Julgo, que também ele teve um papel revolucionário, quebrando os tabús ainda existentes, dando um primeiro passo em prol de uma educação sexual que nesse tempo era inexistente.

Na realidade, mesmo eu que sabia o que era a ovulação, quando cheguei a casa, fui à estante em busca do "Helga", o livro proibido e voltei a ler certas passagens. :)

Abraço, Lola, neste 25 de Abril!

Arabica disse...

Maré

Abril é vivido diáriamente, está presente, está vivo!




Um Abraço com esperança no tempo.
E força no gesto.


:)

vaandando disse...

Magnífico dizer de alma e de desmontagem ...
Um Tremendo »Apanhado» Aràbica!
abraço fraterno!

___________ JRMARTO

José Manuel Dias disse...

Parabéns pelo post. Viva 0 25 de Abril!

bettips disse...

Que bonito texto V., que graciosa e certeira para um HOJE tão grande, que se revê em passado e se projecta em futuro!
Beijos

Arabica disse...

José Marto,

uma situação tão inusitada, que ficou religiosamente guardada na memória.

O che (da foto) apareceu-me em Faro, quarta feira passada.

E tudo fez sentido.


Um abraço

Arabica disse...

Obrigada, José Manuel.


Só os "homens" são perecíveis na sua matéria. Os ideais sobrevivem!

Abraço, neste 25 de Abril.

Arabica disse...

Bettips,


...mas tem dias de urgência em que o tempo é um castigo!

Pelo contrário, a tua visita é bálsamo e força!

Um abraço,amiga.

prof disse...

Foi um arrepio de corte de papel. Como foi possível ter esquecido o Helga?! Bem, a verdade é que o não esquecera, ou não teria sentido o arrepio. Obrigada por me avivar a memória, Arábica.
*
Õ Chessenta..Há muitos, muitos anos, logo quando abriu, com a primeira gerência, ainda lá cantei umas vezes, no 1º andar, com outros amigos.
Saudades desses tempos
* Beijinhos

Duarte disse...

Simplesmente o estar presente já significa querer participar.
Que grande o Che!

Um grande abraço na alegria duma data

pb disse...

" Associa hoje a revolução a um óvulo que tarda em amadurecer ", desculpem-me mas eu acho que a revolução já abortou expontaneamente... um beijo Amiga de cafés e fumos

ze disse...

o che matou alguém?

Idun disse...

eu achei delicioso o texto. "e a ovulação, sabes o que é?".

um abraço, arábica, aqui das margens deste país coberto de nuvens de chumbo.aqui desta terra onde, discretamente, plantamos um pequeno jardim, onde trocamos sonhos e palavras que já não se usam.

Arabica disse...

Prof.,

:) o Helga foi muito importante para mim, nunca o esqueci. Aquela história da cegonha não pegou e a versão seguinte que a minha mãe arranjou (cortam a barriga para o bébé nascer) era um desassossego. "Cortarem a minha barriga? E porque não tem ela marcas dos cortes? Se calhar não sou sua filha". Quando aos 9 anos encontrei o Helga e vi a verdade senti um alívio e alegria tão grandes, que só podem ser explicados à luz dos medos entretanto criados.

No dia seguinte, na escola, felicissima por não haver cortes e ter a garantia que a "mãe sorria durante o parto" contei a verdade a todas as minhas colegas.No dia seguinte ao seguinte, os meus pais foram chamados à escola porque tinham leitura pouco adequada em casa. Subversiva. Proibida. Levaram o livro à escola, que foi analisado sob todos os angulos pelas professoras e pela directora da escola. Eu no recreio, sózinha, calada, posta sentada de castigo num banco, pela minha mãe nervosissima, não percebia porque é que o nascimento de um bébé, sem cortes na barriga, dava tantos problemas. Julgo que foi a primeira vez que não compreendi "a sociedade", os "adultos", "eles".

Foi a primeira vez.

Mas não a última.

Talvez seja um bom indício de saúde mental, não sei.

:)

Beijos

Arabica disse...

Duarte,


o fazer parte é importante, passar a mensagem de justiça social, de solidariedade social, o colectivo posto à frente de qualquer egoísmo individual. A entrega a uma causa.

Um beijo

Arabica disse...

Paulo,

tu sabes que há colos inférteis, onde a esperança não germina, onde a vontade de mudar o que está errado não vinga. Colos que preferem guardar em si células mortas à sensação de libertação e à vontade de criar, recriar tudo de novo.
Perecíveis os homens e os colos.
Diferentes também entre si.

Nada que nós -eu e tu- não tivessemos abordado embora superficialmente, tantas vezes, enquanto fumavamos um cigarro e bebíamos um café, nas escadas dos nossos vários locais de trabalho, ao longo dos anos.

O aborto expontâneo depende dos colos. Pois não sabes da diferença das espécies? :)


Beijos e um bom domingo.

Arabica disse...

Zé,

Ché era um guerrilheiro, voltamos ao LaPalisse? :)


Beijos

Arabica disse...

Querida Idun,

todos os céus de chumbo precisam de jardins de sonhos, onde se plantem palavras velhas, em semente de flor e sol.

Festinhas e ron-rons :)))

ze disse...

o la palisse não será o mais apropriado para tratar de questões éticas,
no seu ponto mais central,
sem remédio nem volta a trás,
a morte

a vida humana,
"cousa" sem importância,....

e os ghandis são tão pouco românticos; nada fotogénicos, que como se sabe é tão importante para fazer passar a revolução,...

Arabica disse...

Zé,

se reparares na etiquta deste post,refere revoluções culturais.
Entre o Ché e o 25 de Abril em Portugal (essa data que tu apelidas de moribunda) deve ter existido uma qualquer revolução cultural, não te parece?

De outra forma como encarar um golpe de estado que não foi marcado pela sangue?

Como encarar uma revolução de cravos?

Talvez afinal essa data moribunda, (na tua perspetiva), encerre em si, uma evolução positiva no respeito pela vida humana.

Que papel teria tido Ghandi na vida dos homens de estado que alimentaram uma guerra colonial?


Quantos morreram de ambos os lados?

Quantos perderam a vida sem terem o direito de dizer não?

O que seria uma vida para Salazar?
"cousa sem importância", decerto.

Arabica disse...

Desculpa a troca e a falta pontual de letras nas palavras.
Quase não consigo redigir, o cursor fica preso e demora imenso tempo a activar a letra teclada.

ze disse...

Quando te disse que estava “defunto” e não “moribundo” referia-me ao dia de ontem (2009), no mesmo sentido que poderia ter dito de qquer outro dia anterior, passado.
Valorização do presente face ao passado e do futuro face ao presente.

Os indivíduos, as sociedades, as revoluções,..., precisam de referencias.
Há por isso que saber escolhê-las bem.
Porque elas dão o exemplo.
De certo por cultura (individual) e em parte e muito provavelmente também por ignorância, não saberei compreender-lhe esse “carisma” (ao che).
O argumento de que há piores (salazares, hitlers,..., muitos), para mim não vinga.


(tomei por principio que podia manifestar a minha opinião- de desaprovação)

Arabica disse...

E podes, Zé.

O que também não me impede de refutar, esclarecer, argumentar.
Os ideais de Che podem estar vivos sem que a sua fotografia seja um apelo à guerrilha urbana em abril de 2009 em Lisboa, ou Portugal.

Ou será que te não lembras do primeiro post que comentaste neste blog?
Será que foi em vão o post contra a guerra Israel/Palestina?
Será que a minha postura pacifista não ficou latente?

Será que a revolução cultural (impressa na etiqueta) não te alerta e inspira para um outro tipo de mensagem?

Lamento se fracassei e fiquei aquém das minhas próprias expectativas, que ainda assim, eram humildes: ser entendida.

ze disse...

Sei e lembro-me de tudo isso,

vou-te conhecendo e nessa medida minorando equivocos,
mas,
parece-me que já percebes-te que não resistis-te ao poder (de comunicação) de uma "poderosissima marca-
a marca che, das que mais vende no mundo inteiro, tatus, tee-shirts, amuletos,....
Incrível como vende.

óptimo exemplo de como o capitalismo "veste" aos poucos uma revolução (cultural)

Agora vou ser chato para outra freguesia,
Beijos e continuação de um bom domingo (26)
:)

Arabica disse...

Zé,

e pins!

Eu dei o meu modesto contributo em 1975, com a compra de um pequeno pin.Não lhe consegui mesmo resistir, andei de volta da minha mãe muitos meses, para o ter!

Por acaso, fiquei admirada quando ainda há pouco tempo, vi que se vendiam inqueiros marca "ché" numa loja de comércio "made in china".

Não consegui evitar pensar ,com alguma ironia, que aqueles seres, vindos do outro lado do mundo, que mantêm abertas as portas das suas lojas muito mais horas que o comércio tradicional português e durante 7 dias por semana, bem que precisavam de um pouco dos ideais de ché...



Obrigada, Zé.
Espero que o teu seja igualmente bom.

Maria disse...

É sempre tempo de vir aqui deixar-te um abraço de Abril.
Gostei do texto. De facto fazemos parte da revolução...

Beijo e um cravo vermelho

Arabica disse...

Maria

e para mim o teu abraço de abril pode ser em agosto ou em outubro.

Será sempre Abril.


Beijos e outro cravo vermelho.