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Anoitecer nas ruas desertas das Termas, poderá ser o encontro com os nossos mais antigos e estimados fantasmas e medos ou, pelo contrário, a comunhão entre todas as partes de que somos feitos.
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A paisagem devolve ao nosso olhar o que sentimos, a paisagem é o que somos.
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Ao contrário de Pessoa que no Livro do Desassossego escreve "não acredito na paisagem" e que "o que existe é sempre em outra região, além de montes" eu acredito na vida submersa das pedras do rio e na vida secreta da terra fecunda, no momento exacto em que sentimos o pulsar de todas as matérias e vidas em nós.
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E se o levei (Fernando Pessoa) como companheiro de viagem, a viagem me devolveu -ainda que, através dos rios subterraneos do meu ser, irónicamente, a contradição das suas palavras:
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"Cessei, como o sol na minha paisagem. Não fica, do que foi dito ou visto, senão uma noite já fechada, cheia de brilho morto de lagos, numa planicie sem patos bravos, morta, fluída, húmida e sinistra."
"Cessei, como o sol na minha paisagem. Não fica, do que foi dito ou visto, senão uma noite já fechada, cheia de brilho morto de lagos, numa planicie sem patos bravos, morta, fluída, húmida e sinistra."
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Música:The Dark Night of Soul, Loreena McKennitt
