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Lá fora, o quintal vai crescendo em horta, limpo a fogo, de raízes e pés secos de vida.
A tarde estende-se como massa folhada em minhas mãos, nos gestos simples de quem há muito aprendeu a arte de a aproveitar, esticando o tempo.
Único segredo a levedar em farinha e água.
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De fora para dentro, migram as flores em botão ainda, adiando a alegria das pétalas
na espera da maturação.
Que será.
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Ervas de outra fortuna, vão crescendo ágeis no tempo morno temperado de sol e chuva.
.A madeira já de outras histórias trazida, ganha a cor do fogo, agora lento,
que a consome.
.Do forno, sai a tarte da tarde, envolta no aroma dos três queijos fundidos
nesta massa homogénea e quente,
húmida e macia.
.Imagino o sorriso que fará nascer no rosto do meu genro,
seu mais fervoroso apreciador.
Está a precisar de mimo.
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Provo a carne, de seguida a sopa, trato dos legumes, verifico o arroz, e por fim,
dou-me ao luxo de um café e de um cigarro.
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Leio os vossos comentários,
espreguiçando as pernas
e saboreando o momento.
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Gosto destas tardes, agora, diferentes.
Tão afastado o tempo das correrias, em que o gesto autómato
corria célere entre emprego, transportes e tarefas domésticas,
uma após outra,
[valiam-me os bifes, as batatas a fritar, os espinafres congelados a cozer,
diga-se em abono da verdade]
na função de fêmea com crias
no ninho.
.Gosto dos aromas misturados que dançam pela casa, num festim de apetites.
.Gosto de esperar por eles,
contando os minutos.
Então? Então?
Gosto tanto deles!
.Gosto tanto deles!
Para a semana há mais.
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