Mostrar mensagens com a etiqueta Da terapia das tartes.... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Da terapia das tartes.... Mostrar todas as mensagens

terça-feira, maio 12, 2009



.


Lá fora, o quintal vai crescendo em horta, limpo a fogo, de raízes e pés secos de vida.



A tarde estende-se como massa folhada em minhas mãos, nos gestos simples de quem há muito aprendeu a arte de a aproveitar, esticando o tempo.
Único segredo a levedar em farinha e água.

.


.

.


De fora para dentro, migram as flores em botão ainda, adiando a alegria das pétalas
na espera da maturação.

Que será.

.





.


Ervas de outra fortuna, vão crescendo ágeis no tempo morno temperado de sol e chuva.

.

A madeira já de outras histórias trazida, ganha a cor do fogo, agora lento,

que a consome.

.



.



Do forno, sai a tarte da tarde, envolta no aroma dos três queijos fundidos
nesta massa homogénea e quente,
húmida e macia.
.

Imagino o sorriso que fará nascer no rosto do meu genro,
seu mais fervoroso apreciador.
Está a precisar de mimo.
.





.

Provo a carne, de seguida a sopa, trato dos legumes, verifico o arroz, e por fim,

dou-me ao luxo de um café e de um cigarro.
.

Leio os vossos comentários,

espreguiçando as pernas

e saboreando o momento.


.





.


Gosto destas tardes, agora, diferentes.
Tão afastado o tempo das correrias, em que o gesto autómato
corria célere entre emprego, transportes e tarefas domésticas,
uma após outra,
[valiam-me os bifes, as batatas a fritar, os espinafres congelados a cozer,
diga-se em abono da verdade]
na função de fêmea com crias
no ninho.
.
Gosto dos aromas misturados que dançam pela casa, num festim de apetites.
.
Gosto de esperar por eles,
contando os minutos.
Então? Então?
Gosto tanto deles!
.

Para a semana há mais.

.

.

.

quinta-feira, janeiro 01, 2009





No pano gasto de um avental,

contam-se,

o número das quebradas folhas estendidas,
o número das receitas aprendidas,
o número dos temperos inventados,

o número dos fogos ateados.


Improvisados.


O número de mãos que o vestiram.
O número de olhos que o despiram.




O número dos sonhos amassados.
(levedados, qb.)
O número das esperas em vão,
em pitadas e em grão.
O número das ceias festejadas.
E o das velas apagadas.


O número dos carnais festins,
vaporizado Bacco, em adormecidos carmins.


Avarento nos números, em si guarda, os momentos de vida, com que se salpicou, humanizou, cristalizou.


Será nos condimentos que reside a magia do fogo lento que o alimenta, sem consumir?...



Ah!...Sábio avental de pano cru!...









Música: No woman No cry, Joan Baez e agora, Bob Marley