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quarta-feira, março 11, 2009

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um vazio
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um lapso
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um espaço
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?

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quarta-feira, março 04, 2009


Irremissível lamento,

o das pedras,

nas minguantes águas da fonte.

Onde só o vento

dançando no leito dos corpos

adormecidos,

as redime

do seu destino.







Música: Fata Merge Pe Jos, Alexandrina Hristov

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

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Como escrever o dia
em que as casas
cresceram
para dentro do ventre da terra
e os homens declinaram
e os miúdos riram
e as mulheres se agarraram
aos pilares voláteis das chaminés
como quem procura
o chão?

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Como descrever o movimento
contínuo
das árvores a vogarem
a terra com os braços em remo?

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Como descrever o negativo interno
das ruas
o sustentável desequilibrio
das coisas e dos seres
de pernas para o ar
caídas de espanto
na vala paradoxal do tempo?

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Como descrever
a noite que golpeou
o estado do dia
a dor
que perfurou
o corpo
o corpo que mergulhou na terra?

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Como descrever o riso das crianças no uivo dos lobos?



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Música: Thaba Bosigo, Dollar Brand.

sábado, fevereiro 21, 2009

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A luz a partir na quietude da sombra. a noite a cair na teia das paisagens que adivinhamos submersas
numa massa coesa
de ervas
ébrias
de cheiros.
nas
raízes alongadas
a beber
me
todos os rios.


sem
esquecer
os
detalhes
microscópicos
da seiva das azedas
dos gumes das pedras
das asas dos melros.
Seriam corvos?




o garrar
dos dedos
a todos os gestos.

lembrar
a inconsistência
das
flores secas
sem
separadores
de página
onde as
reescrever.








As palavras são memórias, nos caminhos rasgadas,

deixadas

ao abandono do solo e do vento.



repito-me no folego do espelho

dos ramos nús.







Não houvesse tanta palavra

tanta raíz

tanta memória

e o mundo poderia nascer de novo.







Música: Blues for a Hip King, Dollar Brand.

Mais um homem que parte, deixando-nos as suas histórias: José Megre.