quarta-feira, janeiro 14, 2009

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...era uma casa tão espaçosa, mas tão espaçosa, que nela chegaram a cohabitar os sonhos megalómanos de dois seres...

...antagónicos.
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Música: Melody from a bamboo house, Liu Fang.

46 comentários:

legivel disse...

... mas ainda há casas dessas para venda?!

Vou andar mais atento há agências imobiliárias aqui da zona pois tenho um casal amigo que se dão como o "gato e o rato" e por vezes "nem se podem ver", mas que pretendem juntar os seus sonhos e viverem infelizes para sempre. Só lhe falta a casa*. Enorme, enorme.

*Pobre dela.


beijos e sorrisos matinais.

legivel disse...

... "... às agências..."

Teresa Durães disse...

e no antagonismo, a tentativa de vencer pelo poder. sempre o mais forte forçando o mais fraco

Rui disse...

E faziam refeições em comum? Tomavam as refeições à mesma mesa? De que se alimentam os sonhos? Os sonhos não vão à rua? Dormiam juntos? Os sonhos dormem?

jorge vicente disse...

um ser bambu e um ser árvore: o bambu flexível, intuitivo e a árvore (ou o resto das árvores porque o bambu é uma árvore): mais rígido, talvez mais prático.

essas duas realidades se completam.

um beijinho
jorge

élis/lizzie disse...

Assim os dois sonhos podiam inchar quando lhes dava na veneta. Um podia ficar com a cabeça num dos quartos e ir inchando os pés para uma das salas; o outro podia inchar na sala e ir desinchando para o quarto, sem se tocarem, sem se picarem. Os sonhos megalómanos são balões?


Deve ser por isso que tenho uma amiga grande sonhadora de espaços que diz que as pessoas são mais felizes nas casas pequenas. Se os sonhos forem mais pequenos e tiverem tendência para se aconchegar. Chega-lhes o sol às pontas. Nas casas muito grandes, o sol fica-se pelo meio. Que nem sempre é virtude.

Besos

Leonor disse...

fiquei atonita com a dimensao da casa e tao reduzida presença que o comentario perdeu-se nos corredores.

abanaste com o post

beijinhos

tinta permanente disse...

Há qualquer coisa de apertado que escorre por entre o espaço (tão) aberto das palavras...

abraços!

bettips disse...

Pelo menos havia um canto por onde se via o sol. Parece.
As despedidas são tramadas, as liberdades que se apregoam são armadilhadas...
Bjinho
(olá! será que consegui comentar-te? devemos ser...incompatíveis??? digo, os nossos servidores ou lá o que seja, desentendem-se no espaço. Há cada vez mais mistério nas relações humanas...)

Luis Serpa disse...

Não há sonhos megalómanos, nem seres antagónicos. Só há há seres megalómanos e sonhos antagónicos.

E casas mal mobiladas...

mdsol disse...

Há qualquer coisa de sufocante nessa casa... ou?

:))

ลndreia disse...

E não permanece nessa casa a felicidade?
É casa que é refugio dos sonhos, das esperanças e dos desejos... eu pelo menos gosto de pensar que sim! *

Arabica disse...

Caro Luis Serpa,

isso diz o Senhor que nunca conheceu as pessoas em causa :))

Terríveis, terríveis, é o que lhe digo :))

Arabica disse...

Andreia,


os sonhos ficaram colados à parede:) A casa continua espaçosa e feliz :)

Arabica disse...

mdSol :))


ou :))

Arabica disse...

Bettips,

nada que com uma boa dose de humor não se consiga realizar :))

Arabica disse...

Tinta Permanente


os sonhos eram tão gigantescos que o ar era comprimido...

Arabica disse...

Leonor,


a vida é feita de pequenos abanões :)

Arabica disse...

Lizzie,


sim, são balões gigantes.
Consegues imaginar? :))

Arabica disse...

Jorge,

Embora se tratassem de sonhos, eram tão densos e em tão grandes proporções que...ocupavam a maior parte da casa...

O bambu refugiou-se na varanda, embalado pelo vento.


A àrvore saiu em busca de alimento.

Arabica disse...

Teresa,


a cada um o seu poder.

Arabica disse...

Albertamente Legível,


já não há casas destas.


:))

Arabica disse...

Rui,

os sonhos sentavam-se à mesa religiosamente às 20h. Pernas traçadas, sob a mesa comum, para não pisarem os calos uns aos outros. Uns eram vegetarianos, outros, tinham um fraquinho por carnes brancas e ainda, outros havia que só se alimentavam de doces.

Saíam à rua a maior parte dos dias.
Gostavam muito de passear.E de beber café em esplanadas debruçadas sobre o mar. E também de conhecer outros sonhos que se iam cruzando com eles nas ruas movimentads das cidades.

Por vezes chegavam a casa já com tanto ar, que acabavam por tropeçar uns nos outros.
Quando iam à praia tudo se tornava ainda mais dificil: nunca havia toalhas de tamanho suficiente para ficarem a limpo, de areias e moluscos. Um verdadeiro desespero!

Alguns dormiam juntos, outros tinham insónias e preferiam ficar na sala. Embora um deles ressonasse, a maior parte dos sonos dos sonhos decorria sem incidentes.Enquanto os sonhos dormem não se inquietam, o que lhes ia favorecendo o crescimento
(deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer).

Ah! ia-me esquecendo: um deles dormia com um olho fechado e outro aberto, não fosse o diabo tecê-las :))

Pipa disse...

:)
a megalomania é um eufemismo para o que se encerra em cada ser humano.

O meu pai é arquitecto e vai reformar-se agora. Vai ter tempo para me desenhar uma casa igualzinha a essa. (se não te opuseres...) Quando encontrar o meu ser antagónico mostro-lhe o projecto.

Justine disse...

Assim deveriam ser todas as casas...

mariab disse...

Suponho que deviam chocar muito um com o outro (os sonhos). Apesar do espaço da casa. Beijos

Nuno de Sousa disse...

Belo sonho esse num espaço tão pequeno...

Olha porque não em Fevereiro... e ando a tratar de uma de uma amiga nossa da blogosfera que vai expor umas fotos vindas da Índia, estive a ajudar a escolher as melhores e a tratar delas... vai ser na Moita em Fevereiro e quem sabes possas ir lá ver... em breve darei mais novidades.
A pessoa é a Tulipa... conheces?
Bjocas
Nuno

Idun disse...

aposto que era uma casa sem tecto. porque essencial, no sonho, é podermos inventar um infinito firmamento, repleto de estrelas.

marradinhas amistosas, amiga arábica.

Val Du disse...

Não importa o espaço da casa, mas "os seres sonhados".

Viajei pra muito longe.

Beijos.

Arabica disse...

Pipa,

nada a opor, claro!


:)

Arabica disse...

Justine


e quentes.


acolhedoras.


sempre com espaço para novos sonhos.

Arabica disse...

Mariab


tropeçavam um pouco uns nos outros.


Não sabiam respeitar o espaço dos outros sonhos. Como alguns eram recentes e em forma agigantada, ainda não tinham aprendido a velha máxima: os teus direitos terminam onde começam os dos outros.

Pelo menos nos dias de ventania.

:)

Arabica disse...

Nuno,


quem sabe?



Há realmente espaços de sonho :)

Arabica disse...

Ainda Nuno,


julgo que não conheço a Tulipa nem o seu espaço.

A India é um pais que já alguns amigos meus visitaram e que sempre fez parte do meu imaginário.

A Moita fica um pouco longe para mim, mas desejo a todos os visitantes umas horas gratificantes :)

Arabica disse...

Idun,


sabedoria felina preciosa.


Faltavam-lhe as estrelas do firmamento.


:)

Arabica disse...

Val,


os seres sonhados são seres abençoados.


Fico feliz por teres partido daqui para muito longe :)

Bons vôos :)

triliti star disse...

...e havia portas fechadas separando as divisões.

e, nos invernos muito frios, cada um tinha os seus caloríferos a aquecer a sua parte da casa.
depois, quando o calor se fazia já sentir, tiravam as roupas, abriam todas as portas e corriam para a sala de ninguém, a aquecer noutra chama os seus corpos já mornos.

a casa sorria feliz.

e ficava mais pequena para os aconchegar.




e os sonhos, grandes ou pequenos, davam lugar à vida.

Arabica disse...

Triliti Star



Nem sempre.

Havia portas teimosas.

E sonhos pesadelos.


:)

© Piedade Araújo Sol disse...

quantas casas, existem assim.

Muitas!

as estatiscas não existem...

beij

Alien8 disse...

Arabica,

Ah, essas casas cheias de espeço, para onde foram? :)

Beijos.

Arabica disse...

Pi


Os sonhos não são passiveis de estatistica :)


As casas estão em queda, no mercado imobiliário :-)

Arabica disse...

Alien


Não sei :)


Mas julgo que ficaram acanhadas nos sonhos :)

M. disse...

até esses são essenciais para o equílibrio do cosmos.

se todos estivessem numa sinergia monótona não seria o caos?

ainda que sonhando.

beijo

Arabica disse...

M.,


caótica realidade.
Acordamos e engolimos o dia, na primeira chávena de café, mastigamos deveres e correrias ao mesmo tempo que cereais, saímos para a rua, sem tempo para perceber as flores que crescem nos canteiros, sem a música da vida, antes, se ter espregiçado em nós.

Trabalhamos, rimos quem sabe das graças do colega que ao lado,acordou inspirado, ou nem por isso, quem sabe descobrisse na graça, o milagre do riso que espanta o cinzento do dia, a ferrugem da vida.

Voltamos para casa a correr, num solavanco domesticado de sacos e ingredientes, jantamos enquanto em nós mais um dia morre...

Chega a noite, o cansaço de mais um dia, igual ao anterior e ao seguinte, pegamos num livro e adomecemos nas vidas diferentes, contadas pelos outros...

Sonhamos glórias e organizamos durante a noite, o caos contido, do nosso destino...


Beijo

Rui disse...

Ainda gostava de assistir a uma reunião de família: O convívio dos sonhos, o diz-que-disse, as intrigas das partilhas, a relação com os pesadelos. Ou talvez não.

Arabica disse...

Rui :)

talvez.



Resta-te o caminho da imaginação :)