sábado, março 21, 2009

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Falta-me disposição e tempo para espreguiçar as ideias.

Esticá-las, discipliná-las ao sol.

A minha mãe continua a precisar diáriamente de mim. A máquina da louça avariou. O site do Manel dá erro. O Gerês, o meu amado Gerês, arde. Hoje tenho o jantar semanal de familia e não sei se faça o bacalhau Espiritual se faça o bacahau à Gomes de Sá. Ah! já sei, a filha R. prefere o Espiritual.Tenho muitas saudades da minha filha C. e da minha neta, e não vou poder lá ir, tão depressa. A falta de tempo dá-me a sensação de que ando sempre a correr, sem, contudo, sentir, que fiz algo de importante ou digno de registo. Entre legumes ao vapor e paginas de livros lidas enquanto percorro as ruas da cidade, algo de mim, vai ficando pelo caminho. E na pressa, já não volto atrás, para o recuperar.

Falo de amor enquanto preparo sopas e dou a mão à minha mãe, subind lentamente os degraus até ao meu 2º dtº. Mais tarde, ajudo-a a tomar banho. Deixo a água quente a escorrer sobre o seu corpo pequenino e magro, esperando que as mágoas, dores e medos deslizem com a água. No vapor da casa de banho aquário, há restos de mim que escapam pela fresta da porta. E na urgência de enxugar a minha mãe, sem que ela se constipe, não abro a porta para os recuperar.

Olho para amanhã: talvez me espreguice e volte a disciplinar ideias.

Hoje estou demasiado ocupada. Não tenho tempo para mim.

(segunda-feira, já a parecer terça-feira)


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Esperança num sorriso (ainda que cansado).





Esperança num amanhã (ainda que fustigado).

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Esperança.



Dá-me a mão. Vês?





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Música: Rabo de Nube, Zuzana Navarova.

2ª: Cantar de Emigração, Adriano Correia de Oliveira.

63 comentários:

Arabica disse...

Por muito que goste de ouvir esta canção pela voz de de Zuzana Navarova, o que eu gosto mesmo é de ouvi-la cantada pelo meu amigo Manel T. Como ontem.

:)


Precisamos todos com urgência de um varredor de tristezas.

"Né" ??? :)

Arabica disse...

E para conhecerem um pouco do Manel, cliquem no título do post :)

mdsol disse...

Vamos lá então conhecer o Manel!
Tens razão quanto ao varredor...

:)))

maré disse...

ascensora

a gramática do sol


além disso
[da mão]

as minhas glicínias
violetas de sangue

___---

beijo

Arabica disse...

mdsol,


da ultima vez que lá fui, ouvia-se música. Hoje não consigo. Quem sabe, seja do meu servidor.

Beijos.

Arabica disse...

maré,

a minha mãe encontra-se um pouco debilitada há cerca de uma semana.

O dá-me a mão, agora, de filha para mãe.

Também estes, laços violetas de sangue. Com olhos de esperança.


Um beijo.

Alien8 disse...

Arabica,

E agora vim ouvir a música, e agradeço de novo. É uma boa interpretação. Suave. A do teu amigo Manel T. não conheço, mas deve ser muito boa, para a preferires a esta! :)

Que o varredor de tristezas faça o seu trabalho. Que a tua mãe melhore depressa.

Um beijo.

Arabica disse...

Alien,


foi cantada por ele que a ouvi pela primeira vez, já há uns sete anos e ele canta com muita garra, tanto na voz como no dedilhar nas cordas da guitarra. Deve ser por isso. :))

Não tens que agradecer.


Um beijo

Alien8 disse...

Arabica,

Já fui ver o site...:)
Parece-me um excelente projecto.
Só não deixei nada no livro de visitas porque é obrigatório dar o endereço de email, e reparei que o publicam nos comentários... e não quero divulgá-lo a toda gente. Mas podes dizer ao teu amigo Manuel T., da minha parte, que gostei do que ouvi (além do que acima disse).

E, já agora... delicadamente..., não faria mal corrigir o título da canção com poema do Saramago para "Há-de Haver", em vez de Hade Haver. Foi um lapso, mas num site de apresentação do projecto, aliás muito bem feito, não cai lá muito bem.

Um beijo.

Arabica disse...

Alien,

Reparei no endereço e fiquei assim como tu. Não deveria aparecer.

E também, reparei no Há-de. Não sei se é ele que "toma conta" do site, julgo que actualmente não tem net, mas segunda feira falo com ele.

Obrigada pela atenção que dedicaste ao Cais da Saudade.

:)

Mais beijos.

legivel disse...

... não consigo ouvir o teu amigo Manuel. Mas confio no teu proverbial bom gosto.

Sobre a esperança... era verde; veio um árbitro e comeu-a.

Beijos e sorrisos amarelos.

Daniel Aladiah disse...

Querida Arabica
Ou sou um desses varredores... esperança e optimismo é o que precisamos, e sempre conseguiremos a mudança...
Um beijo
Daniel

Justine disse...

Creio que só mesmo de mãos dadas...

(foi então dois dias depois de mim:)) retribuo o beinho especial, carregado de esperança e sorrisos para mais um ano!)

Justine disse...

queria dizer beijinho, claro! Aí vai outro, bem escrito: b e i j i n h o

alice disse...

eu dou-te a minha mão, cara amiga! e mando um abraço...

Duarte disse...

Tudo de bom, o que por aqui encontro, mesmo bom!
As nuvens, essas nuvens, como brincam!
A música embala-me numa melancolia desejada. Gosto.

Beijo-te com delicadeza

vaandando disse...

Boa música e ainda bem , procurarei saber mas da cantora ...
Boa semana...
Um beijo
____________ JRMARTO

pb disse...

Ó moça, vamos lá varrer as tristezas quanto mais não seja, pra debaixo do tapete ;-)) vou espreitar o Manel, um beijo

coxa e marreca disse...

estendo na tua direção a minha mão e deixo-te um sorriso (hoje, por acaso, também um pouco cansado).

um beijinho

dona tela disse...

Será da Primavera?

Muito bom dia.

Rui disse...

Há uma canção que diz que amanhã é sempre longe demais. Chega a parecer que sim.

Arabica disse...

Hoje, quando a casa adormecer, venho cá para vos responder.


Se respondesse agora, corria o risco de falar de nabos, cenouras ou outro qualquer vegetal em troca de músicas e beijos :)

Justine disse...

Ontem não consegui nem ouvir o Adriano nem ler a primeira parte do teu post (não me perguntes porquê.Mistérios da informática)
Que magnífico retrato de um quotidiano cheio de amor (e muito feminino)
Beijo

Lizzie disse...

Antes de mais as melhoras da tua filha-mãe.

Às vezes apetecia prender o Tempo com uma guita: fica aí sossegado que eu quero viver parada um bocadinho, quero entrar na fase contemplativa sem ruído, velocidade ou sensação de mero e raquítico instante. Quero-me suspender sem pensamento urgente ou aflito.

E o às vezes é tantas vezes tantas, quantas mais quanto maior é a penúria.

Mas enfim, ficamo-nos pelo "amanhã", que já é uma boa e consciente forma de não morrer sem dar por isso.

Beso.

heretico disse...

"Falo de amor enquanto preparo sopas". uma frase de antologia...

admirável texto.

beijos

vaandando disse...

... eu não quero comentar nada, mas quero deixar aqui um abraço sentido, sentido, Arábica...
Tocante!

____________ JRMARTO

mdsol disse...

ESte texto não estava cá ontem pois não?

Gostei de ler! Força. Possivelmente o teu tempo agora é mesmo o tempo dos teus. Mas, não é sempre assim?

beijinho
:))

ze disse...

"corria o risco de falar de nabos, cenouras ou outro qualquer vegetal"

Penso que até gostaríamos de te "ouvir" falar de nabos, sem ter que criar um bloggue de culinária!

eu por exemplo, fiquei curioso de como seria o tal bacalhau espiritual, mas achei que seria descabido.

pois é, foi um comentário muito "terra à terra", desculpa.
beijos

Arabica disse...

Alberto,

para o escutarmos temos que fazer um download a uma qualquer "gerigonça". Confesso-me uma naba em "sites". Antes não fosse. Ainda esta semana, num final de tarde, vou tratar de aprender.

Um abraço

Arabica disse...

Carissimo Daniel,

sim, tu és um varredor de tristezas!


Ainda gostava que me desses a receita infalível, para aqueles dias em que acordamos com o coração nas mãos. :)


Um beijo, Daniel Varredor de Tristezas :)

Duarte disse...

Ainda que seja uma reiteração, gosto desse modo de expressar-te, tão teu.
Palavras cheias de vontade de viver e de ajudar, mas no risco que marca a separação do que devo e do que posso. Assim é a vida, mas nada há como o do calor da casa e da família. Hoje cansa, mas amanhã não dói: é a satisfação do dever cumprido.

Beijo-te, lamentando não poder ser útil

Arabica disse...

Justine, peixinhas somos :))

E como deves perceber a dualidade do nosso signo, confesso-te que ontem não existia esta primeira parte, nem o Adriano cantava.

Hoje, em lugar de um novo post, decidi aprofundar as pequenas frases existentes.

E acrescentar esta nova música.


É um retrato que me sensibiliza muito. Ocupa-me mais o pensamento que o tempo. Fragiliza-me também a mim. Chegou o tempo de realizar, mais que escrever. E não pensar demasiado, para não quebrar. Deixar a vida fluir.


Um beijo grato pelas tuas visitas.


:)

Arabica disse...

Li,


obrigada. Está quentinha. :)


e retribuo o abraço.

Arabica disse...

Duarte,


espero que gostes igualmente de Adriano. Aposto que sim.


Um abraço.

Arabica disse...

Marto,


também pouco sei de Zuzana Navarova. Mas gosto imenso desta música.


Abraço.

Arabica disse...

pb,

há anos que ouves falar do Manel! :) já não era sem tempo, se desse :)

Ainda não é desta.

Mas um dia será.


Beijinhos e boa semana.


PS-já sabes que eu não consigo varrer tristezas rapidamente!

Arabica disse...

Duarte,


não é bem isso: é que eu sou frágil. Envolvo-me emocionalmente. Preciso (eu própria) de me limitar para que o equilibrio permaneça.
Preciso de um certo tempo e espaço para carregar as baterias e poder ajudar. Percebes, amigo? A emoção, o medo, as dúvidas também me andam à flor da pele.

Obrigada, as visitas são sem dúvida um incentivo ao sorriso. :)

Ajuda mais que útil.

Beijos

Arabica disse...

Coxita,


-vamos lá embora todos de mão dada! :)

Por vezes o cansaço -e nem estou a falar do fisico- toma conta de nós.


É tempo de agitar as penas.

Respirar fundo e voar.


Beijos

Arabica disse...

Telinha,


sempre mau prenuncio a Pimavera para os que já contam muitas.


Que não seja da Primavera.


Um beijo

Arabica disse...

É verdade, Lizzie.


Prender o tempo, prender a vida, prender as forças que animam o corpo. Prender o sorriso.

Afastar o medo, o dela e o meu.

Incutir-lhe confiança.

E andar para a frente.

Não me deixar cair.
Correr atrás do sol.

Para lho levar no rosto, no dia seguinte.

Gracias, Zizzie.

Arabica disse...

Heretico,

escrevi de rajada, como que a libertar-me da tristeza, para poder viver, depois.

Como se depois de escrito, tudo fosse simples.

E foi.

Um abraço.

Arabica disse...

Marto,


soube-me bem esse abraço.


E esse silêncio sentido.


Retribuido fica o abraço.

Arabica disse...

Pois não, Mdsol!


Obrigada pela força.

E pelos sorrisos.

O tempo é tudo o que "conseguirmos" fazer com ele.

Lá voltamos à lenda das fadas do lar :)


Xi coração :)

alecerosana disse...

ai ai vandinha... o adriano mata-me


Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem me dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol Lisboa com lágrimas
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...

Arabica disse...

Zé,

Aqui fica a receita:

http://receitasdeculinaria.blogs.sapo.pt/8134.html

Há várias e diferentes.

Já não seria a primeira vez que se falava de vegetais fora de um blog de culinária. A tua ideia não é peregrina. :))

Muito terra a terra o teu comentário? Sim. De onde mais vêem afinal, os legumes e vegetais? :))


Beijos.

Arabica disse...

Amiga,


dá-me a tua mão. Vês?



Não estás sozinha.


E o Adriano acorda-nos o coração.

Não nos mata.

Embora (às vezes) se possa sentir a dor que nos confunde.


Abraço-te.

Arabica disse...

Rui,


um abraço.


Fico com a musica. :)

Rosa dos Ventos disse...

Fizeste-me chorar...
Isto por aqui anda muito por baixo!
Música linda e triste.
Espero ansiosamente por melhores dias...

Abraço

alice disse...

:) eu optava pelo bacalhau com natas :) amiga, leio-te e sinto que precisas de ajuda na cozinha... e eu que adoro estar lá metida não posso ir ajudar-te... bem sabes que o faria como se fosse a minha avó... também mal... não desanimes, que serás compensada. tenho a certeza! um beijo grande.

O Árabe disse...

Assim é, amiga. Muitas vezes, tanto nos ocupamos que não sobra tempo para nós. :( Boa semana, que o tempo te ajude! :)

Teresa Durães disse...

truz truz. entro porque venho tarde. também a minha máquina de lavar a louça não anda bem eheheh

mas ninguém passa lá por casa :(

M. disse...

pssst?

:))

ia-me prometendo mais uma pequena dose, adiando, adiando...

gaita que a vida tem tantas escadas e mãos para segurar.

Ah..

estou à espera. mas põe-te serena primeiro. (eu faço o mesmo.)

Beijo Arabica

Arabica disse...

Rosa,


escuta o vento!!!


Vamos com ele?


Amiga, lamento ter-te feito chorar.

Nem sei que te diga.

Um abraço. Vale?

E o vento, Rosa e o vento!

Arabica disse...

Alice, o molho bechamel é mais saudável! :))

Agradeço a tua ajuda :) e podíamos ir tagarelando, bebericando um tinto Dão, comendo um queijinho! :)) Eu gosto de cozinhar, enquanto penso; é uma forma de descomprimir.

Hoje já estou mais animada.


Beijinhos meus

Arabica disse...

Árabe, às vezes precisamos de tempo para nos posicionarmos, sei lá, escolher um caminho a seguir, decidir uma estratégia com vista ao equilibrio e harmonia de todas as partes.

Que não me falte tempo para o sentir.


Abraço.

Arabica disse...

Oh Teresa,


entra! A porta está sempre aberta.


A máquina foi deitada para trás e parece que ficou boa. Não me perguntes como :) mas parece que está relacionado com água que ficou no filtro da última lavagem.
Desta já me safei :)

Experimenta :))

Arabica disse...

M.,


a três mãos é mais fácil.


E parece que o vento traz animo ao espirito.


Serenando.


Um abraço.

Idun disse...

a minha Humana ADORA cozinhar. e sabe do afecto que, por vezes, se pode pôr na confecção de um prato - mesmo sem usar receita.

marradinhas, ronrons

Alien8 disse...

Arabica,

Com mil bombas! Só para ler aqui a "Canção com lágrimas e sol..." já valeu a pena a visita!!! Obrigado a quem se lembrou de a colocar nesta caixa - e o Adriano não mataria Alecerosana. Nem o Manuel Alegre.

Alien8 disse...

E uma coisita mais... verifiquei na minha edição (D. Quixote, 2000), do livro que agrupa a "Praça da Canção" e "O Canto e as Armas", que foi omitida a estrofe não cantada pelo Adriano, certamente por não se enquadrar na música. É estranho, mas... aqui a cito de memória - e espero não me enganar:

A seguir a "Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro":

"Que nunca mais dirás as coisas sem importância
Que tinham a importância de serem ditas por ti,
Que nunca mais dirás as coisas importantes
Que já não têm importância, porque tu não voltas."

E assim se completa o poema - e eu gosto muito desta estrofe "perdida".

Arabica disse...

Gatinha,

a tua Humana tem muitas particulariedades em comum comigo, é verdade.

Sem receita, na maior parte das vezes, vamos fundindo afectos, esperanças e pesares nos cremes de cenoura que prometem milagres, entre folhas de agrião que lembram tenacidade na sua imensa fragilidde e bagos de arroz, beijos.

Quando ficam muito fortes, as sopas, é porque decerto farão bem :)

Marradinhas e ronrons para ti também.

Arabica disse...

Alien,

mil e uma bombas celebrem tua chegada!

Pena não vires a tempo de ouvir o Cantar de Emigração que sempre tanto me emociona. Como se a Galiza de estendesse sem fronteiras e nos limites se confundisse com a nossa terra, nosso sangue.

Como vês pelos comentários, não foi só o meu coração a emocionar-se, somos muitos.

Obrigada, Mestre, por essa estrofe que ficou perdida da Voz de Adriano.


Trouxeste-A tu.

E ainda bem. Em bom tempo chegou.


Abraço.

Alien8 disse...

Arabica,

Somos muitos, de facto! E nenhum é mestre :))) Ou então somos todos!

Mil e uma bombas está bem :)

Sobretudo considerando que foi a terceira visita a este post:)))

Um beijo.