domingo, março 29, 2009
sábado, março 28, 2009
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"sugestão" sem data
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António Dacosta - sem título (1940)
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Alexandre O'Neill "ocultação" (1947)
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Pedro Oom " Retrato de Artur do Cruseiro Seixas - o erotismo ocultista / a magia dos objectos /
o garfo amoroso " (1949)
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Alfredo Margarido "sem título" (1956)
terça-feira, março 24, 2009
sábado, março 21, 2009
Falta-me disposição e tempo para espreguiçar as ideias.
Esticá-las, discipliná-las ao sol.
A minha mãe continua a precisar diáriamente de mim. A máquina da louça avariou. O site do Manel dá erro. O Gerês, o meu amado Gerês, arde. Hoje tenho o jantar semanal de familia e não sei se faça o bacalhau Espiritual se faça o bacahau à Gomes de Sá. Ah! já sei, a filha R. prefere o Espiritual.Tenho muitas saudades da minha filha C. e da minha neta, e não vou poder lá ir, tão depressa. A falta de tempo dá-me a sensação de que ando sempre a correr, sem, contudo, sentir, que fiz algo de importante ou digno de registo. Entre legumes ao vapor e paginas de livros lidas enquanto percorro as ruas da cidade, algo de mim, vai ficando pelo caminho. E na pressa, já não volto atrás, para o recuperar.
Falo de amor enquanto preparo sopas e dou a mão à minha mãe, subind lentamente os degraus até ao meu 2º dtº. Mais tarde, ajudo-a a tomar banho. Deixo a água quente a escorrer sobre o seu corpo pequenino e magro, esperando que as mágoas, dores e medos deslizem com a água. No vapor da casa de banho aquário, há restos de mim que escapam pela fresta da porta. E na urgência de enxugar a minha mãe, sem que ela se constipe, não abro a porta para os recuperar.
Olho para amanhã: talvez me espreguice e volte a disciplinar ideias.
Hoje estou demasiado ocupada. Não tenho tempo para mim.
(segunda-feira, já a parecer terça-feira)
Esperança num amanhã (ainda que fustigado).
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Esperança.
Dá-me a mão. Vês?
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Música: Rabo de Nube, Zuzana Navarova.
2ª: Cantar de Emigração, Adriano Correia de Oliveira.
sexta-feira, março 20, 2009
quarta-feira, março 18, 2009
domingo, março 15, 2009
sexta-feira, março 13, 2009
quinta-feira, março 12, 2009
domingo, março 08, 2009
Um dia acordam com o toque ininterrupto de uma campainha estranha. Não sabem definir se lhes nasce do interior e se expande nos horizontes que as cercam, se é o oposto. O que sentem é a vibração do alarme. Há muito que conseguiram ultrapassar todos os limites de cansaço dos primeiros anos de luta, corpo a corpo com a vida. Criaram os filhos. Para o melhor e para o pior. Ensinaram-lhes o que era o cansaço das olheiras. Ensinaram-lhes o afago de colo. Ensinaram-lhes a letra, o céu e o fogo. O riso, a contemplação, a partilha. E os números. Iluminaram casas, desfizeram camas, rogaram pragas e de joelhos, rezaram, num abandono de alma. Criaram circuitos internos de auto defesa. Amaram como só se ama uma vez. Duas vezes. Três vezes. Aprenderam sucalcos. Devoraram livros. Plantaram ideias. Implantaram normas que nem sempre seguem. Construiram pedra a pedra o único porto seguro que conhecem: o delas próprias. O único que com legitimidade defendem. Não sabiam de arquitectura mas fizeram pontes dos braços. Não sabiam de alquimia, mas ousaram fundir-se em todas as mulheres que nelas viveram.Nada percebiam de metafisica, mas puseram em causa todas as causas e todas as formas e todas as existências e todas as origens.
A campainha toca e num instante de intuição abrem a porta. Um dia sairam de casa para a rua e hoje regressam a casa. Olham as paredes. Sentem o inicio da construção. Quando os alicerces ainda se estendiam à chuva, permeáveis às intempéries que as deitavam ao chão. Sorriem, porque na longa caminhada da vida construida, aprenderam a tomar conta de si mesmas. Já não se constipam tanto. Ganharam anti corpos. Para essas a campainha é um golpe de sorte.
A gaiola dourada ali está. Amarguradas, não percebem bem o que fazer com a quantidade infinita de horas que o dia parece ter .Sentem-se perdidas no tempo. Perdidas no espaço. Que afinal foi feito à sua imagem. Vazio. Com quem cuscar agora? sobre qem bisbilhotar agora? de que falar agora? quem criticar? quem imitarem? quem desfazer? quem culpar pela amargura, quem culpar pelo infortúnio?Para essas foi um golpe de azar.
Mais tarde ou mais cedo, por uma ou outra estrada, todas se hão-de encontrar.
Umas rirão, com este novo tempo de relização.
Umas dividirão o tempo entre projectos de familia e afazeres proprios. Outras se dividirão entre trabalhos de voluntariado e de entre ajuda aos mais carenciados. Outras estudarão. Tantas que vêm naquele golpe de sorte a sorte de por fim realizarem o que trinta anos antes deixaram a meio.De conhecerem o que nunca tiveram tempo de conhecer. De ler todos os livros. Conhecer toda as vertentes e movimentos culturais, quantos os que os seus olhos cansados, ainda permitem. Afoitas, experimentam yoga, novas técnicas de relaxamento, reiki e pintura. A vida ganha novos horários, a energia rebenta de novo como se a primavera as revisitasse, sem data marcada. Sábias, já cairam todas as vezes que era suposto caírem, mas ainda assim se elevam. Há muito que deixaram de ter medo de olhar, olhos nos olhos, para as feridas e conversar com elas. Há muito que sabem dos efeitos nocivos da amargura. Há muito que preenchem o seu dia, a sua fome de alimento, a su sede de ir mais longe, dentro de si mesmas. Há muito que aprenderam a gerir o seu dinheiro. Há muito que sabem que o maior poder do mundo é a ausência de ambição de poder. Vivem todos os minutos como se fossem os últimos: sem pressa e com muita intensidade. Querem ser. E de todas as coisas passíveis de se quererem ter, apenas querem -muito- uma: tempo.
Ainda continuam a passar o baton anti cieiro na pressa da saída.
Ainda continuam a fingir que não percebem imensas coisas.
Escolhem o que querem perceber. E o que fazer.
O resto elas aprenderão. Conforme trinta e tal anos anos antes, aprenderam, muitas vezes a elevado preço, a arte de viver e amar. Muito.
Aos amigos que as encontram, dirão: nem sei como antigamente, tinha tempo para trabalhar!
Que mais dizer delas? Não serão as verdadeiras Fadas de qualquer lar? :)
E mais não digo.
Digam vocês, que também eu, vos gosto de ler. :)
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Onde andam as fadas do lar? Olhando à volta, vejo mulheres com as crianças no banco de trás do carro, olhando para o relógio, equacionando quanto tempo demorarão a chegar ao emprego, pensando já nos processos que ficaram adormecidos na secretária, um beijo aos filhos e correm de novo para a fila de trânsito, porra que já estou atrasada, o cigarro aceso, agora que os putos saíram do carro de novo em andameto, visualizam já o ar do chefe a notar o atraso, travam o fumo ao lembrarem a azeda da colega do lado, aquela sempre com bocas, se não fossem os outros, ainda dava em maluca. Arrumam o carro, batendo ao de leve no de trás e ainda mais ao de leve no da frente, sacodem das calças os pelos do gato, sacodem o cabelo como se quisessem libertar a tensão da viagem, desde o suburbio até à cidade, levam ainda na mão o porta chaves que tilinta, aproveitam o espelho do elevador para passar o baton anti cieiro nos lábios, esticam os ombros, prontas a enfrentar o dia.
Almoçam uma sandes e uma salada de frutas com yogurte, enquanto falam de ninharias com os colegas, o que eu queria era ir de férias, prolooooongadas, percebes? Finjem que não ouvem a última bisbilhotice , fingem que não sabem o veneno que certas pessoas destilam em sorrisos, fingem que não estão nem aí, nas costas de uns vimos as nossas, -estou, Pedro? então o teu dia? o quê? a tua mãe está doente? não pode ir buscar os putos à escola e levá-los à natação? Tens que ir tu, Pedro, já cheguei atrasada, não dá para sair mais cedo, sim, tens que ser tu! Adivinham o ar de frustração dos maridos, como se elas não conseguissem dar conta do recado, como se elas não conseguissem organizar a vida, como...se elas alguma vez tivessem prometido ser super-mulheres. Não prometeram,não assinaram, não, não, obrigada, nao quero café, dê-me antes um descafeínado, há 15 dias que não ponho os pés no ginásio, e continuam pelo dia fora, trabalham a pensar na vida, os putos na piscina, a sogra doente, o jantar por fazer, pedras para o gato, uma resma de papel para a impressora, um kg de acuçar e arroz basmati, umas almondegas, fazem-se num instante, organizar a roupa para mandar passar a ferro, já parti uma unha, porra, -Mãe? amanhã podes ir tu buscar os meninos à escola? sim, adoeceu, qualquer coisa que comeu, coitada, se não tiveres nada combinado, agradeço, jantarmos aí? sim mãezinha, obrigada, pode ser, assim sendo aproveito e vou ao ginásio, está bem, beijos e até amanhã, por fim uma luz ao fundo do túnel, meia hora de passadeira, 15 minutos de banho turco e quem sabe relaxe? Sim,sim, Sr. Matos, esteja descansado, até ao fim do dia o processo fica concluido. Já noite regressam a casa, umas a pé, outras de transporte, a nossa heroína de carro, nunca mais é sábado..
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Mr.Sandman, nem sei que lhe peça, é que sonhos não me faltam!
sexta-feira, março 06, 2009
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Sai apressada de casa, despindo lentamente dos olhos,
as paredes e telhados da cidade.
Sem relógio, sabe pela cor do rio, o tempo que já não tem.
Veste-se de gaivota e em contemplação dorme,
de sentidos despertos.
Vigilante, talvez espere do vento,
o sonho das asas
na tela incompleta.
Ausente, do mundo dos outros,
tanto quanto lhe é possível,
em engenho e clarividência,
como se o rio já não existisse
e a outra margem
apenas fosse a névoa dos seus olhos...
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E quando a noite cai, veste de novo em abrigo, as paredes e os telhados da cidade.
Sabe há muito que todas as permutas têm prazo de validade.
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Música: Romantic Sea of Tranquility, Celtic Relaxing.
quarta-feira, março 04, 2009
domingo, março 01, 2009
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Até que se faça luz.
Foto no Museu Rural e Etnográfico de S.João da Ribeira
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Música: Wordy rappinghood, Tom Tom Club.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Convite ao uno, ao silêncio da urbe, aos sons que nos apaziguam e nos remetem ao encontro inadiável com a nossa matéria e a nossa essência, onde nos reconstruimos, em caminhos desertos de atropelos ou ganâncias, delineados na inocência das pedras e das árvores, elegantes na arte dos artesãos do belo, mantidos na veleidade do instante, ali dormem, na espera do corpo que hão-de abrigar, do cansaço que hão-de mitigar, da cegueira que hão-de curar.
Miradouros onde o nosso corpo adormece, deixando o espirito voar...



